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Atari Age

Engraçado como praticamente a geração Atari foi tão presente no cotidiano da época. Minha irmã jogava, meus primos, alguns tios, tias… As vezes até meu pai e minha mãe. Hoje em dia ninguém mais joga ou se interessa, e ainda por cima, tem preconceito.

Teorias à parte, era uma época boa. Qualquer lugar que você fosse, tinha um Atari e tinha gente que jogava. Me lembro de passar muito tempo jogando com minha irmã Decathlon, ou River Raid, Gran Prix, Enduro, Pac Man, Keystone Keapers, Megamania… A lista é interminável.

O meis legal é que percebo essa popularidade do Atari nas ruas. Tenho umas camisas de videogame, uma delas tem uma estampa com os alienigenas de Space Invaders. Sempre que ando na rua com ela, percebo todo mundo olhando fixamente pra estampa. Quem me conhece, sempre pergunta: “Ah, esse é aquele jogo de Atari né… da navezinha. Como chamava?”

Naquela época todo mundo jogava. Sem preconceito. E todo mundo tinha acesso. As vezes concordo com a Nintendo, naquela época os jogos eram simples porém igualmente divertidos. A família toda jogava mas mesmo assim não era nada infantil. Era arte do mesmo jeito que hoje, porém, com apenas um botão e um manche. Quando minha irmã viu o joystick do Mega Drive com 3 botões (fora o Start) ela disse: “ah não, quero jogar esse não, muito complicado”. E nunca mais jogou videogame. Deve ter sido assim com a grande maioria dos jogadores de Atari.

Até pouco tempo atrás, eu, de vez em quando, ainda arriscava a convencê-la de jogar uma partidinha de Virtua Tennis no Sega Dreamcast. Eu dizia: “esse é fácil, só usa um botão (basicamente)”. Tudo bem, na verdade, usam-se 2 botões no jogo. Mas dá pra jogar perfeitamente usando apenas um, e eu precisava convencê-la de algum modo, quebrar essa barreira entre ela e os novos videogames. Certo dia ela se rendeu. Resolveu experimentar, apesar do joystick do Dreamcast ter 4 botões digitais de ação, mais 2 gatilhos analógicos, um direcional digital e um analógico… Talvez o tempo que ela resistiu se devia a isso, o medo daquele tanto de botão.

Então ela pegou o joystick e eu disse: “é só controlar o jogador com esse direcional (o digital, porque se eu falasse pra ela usar o analógico, adeus) e apertar o botão vermelho quando a bola chegar perto”. Jogou duas partidas comigo, deu pra perceber um sorrisinho no rosto dela, durante o jogo, mas nem quis jogar mais. Sei que ela se divertiu, mas compreendo o lado dela. Não jogava um videogame desde o Mega Drive (ela chegou a jogar uma época, apesar dos “complicados” 3 botões) e já não devia ter perdido o tato gamístico que todo gamer tem. Aquela intimidade com a máquina e com o joystick.

Ainda espero por uma nova era Atari. Especialmente no Brasil. Uma era onde não exista mais barreiras entre o videogame e as pessoas. Onde todos tenham a opção de se divertir num videogame, com a família e amigos. Arte e entretenimento, puro e simplesmente.

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  • gilbert

    que saudades do Atari! Forte abraço.

  • Anonymous

    O responsável por resgatar estas pessoas que pararam de jogar videogame chama-se Wii.

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