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Um beijo do gordo!

Gosto muito do Jô Soares, acho ele muito comédia. Sempre que posso assisto o programa dele e acordo metade do prédio com minhas gargalhadas. Esses dias, inclusive, estava assistindo ao programa. Era uma entrevista com a atual namorada do Ronaldo, O Fenômeno. Acho que ela se chama Raica, Raika ou algo assim, parecido com nome de personagem de Final Fantasy.

Num certo ponto da entrevista, o Jô pergunta à moça se ela gosta de jogar videogames. Ela diz que sim. Aí veio o que me deixou um pouco assustado: Jô Soares afirma que nunca, sim, ele disse NUNCA, jogou videogame, e pediu pra que ela o explicasse como era isso. Ele não sabia como jogava, com o quê se jogava e o que acontecia depois que o jogo acabava… A moça até tentou explicar… Disse que tinha várias “fitas” (gíria que eu usava na época do Atari) e que jogava com o “controle” (achei que ela falaria “manete”, que é o que geralmente muitos casual gamers falam).

Agora tudo que o Jô sabe sobre videogames saiu da boca de um casual gamer. Qual o problema disso? Bem, pelo que percebi, o Jô tem o (pre)conceito de que videogame é algo que se joga sozinho. E a moça acabou por confirmar. Quando ele perguntou se ela jogava sozinha, ela respondeu que sim. Seria normal se a pergunta não tivesse sido feita no sentido de “videogame se joga sozinho?” como o Jô fez. Outra coisa, ele perguntou o que ela fazia depois que jogava um jogo. Ele queria saber o que ela fazia quando o jogo terminava. Bem, ela disse que existem várias “fitas” pra se jogar, que quando terminava uma, ela jogava outra. Que existem “fitas” de corrida, aventura… E que ela gostava de Mario Kart (pelo menos, aqui, o Jô disse que conhecia o “Mario Bros”). Espero que ele não tenha achado que é um círculo vicioso, em que, quando se termina um jogo, quer jogar mais e mais e mais…

Deu vontade de ligar pra lá e dar uma breve palestra sobre “o que é o videogame”. Na verdade, senti foi angústia de ver que, uma pessoa como o Jô Soares, dita muito culta e inteligente, ser ignorante no que se refere a videogames que é o entretenimento que está mais em evidência no mundo atualmente. Talvez mais que a música ou o cinema. Na verdade, é a arte do século 21. A ignorância do Jô mostra, não somente a ignorância de toda a indústria brasileira mas, também, como ainda é forte o preconceito e a própria ignorância no Brasil quando se fala em videogames. É por isso que nós gamers ainda somos os “anti-sociais” e “assassinos em potencial” da história e vivemos num mundo de fantasia, sozinhos e cheios de problemas psicológicos.

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