“Esta cidade era um feliz, pacífico lugar… até um dia. Uma poderosa organização criminosa secreta a dominou. Este sindicato vicioso rapidamente obteve controle do governo e até mesmo da polícia. A cidade se transformou um centro de violência e crime onde ninguém está a salvo.”
De que cidade estou falando? São Paulo? errou. Rio de Janeiro? Passou longe. Belo Horizonte? Muito menos. Na verdade, este é um trecho do prólogo de Streets of Rage, um aclamado jogo de ação da Sega, com uma excelente trilha sonora de Yuzo Koshiro (talvez sua maior obra). Mas poderia muito bem ser o prólogo de um livro de história, daqui a uns 100 anos, falando de qualquer uma das grandes cidades brasileiras. Streets of Rage, agora, parece uma profecia do nosso futuro.
Quando era menor, eu tinha uma ideia de um jogo que se passaria nas ruas de uma grande cidade brasileira. O personagem principal deveria, portanto, evitar e fugir de assaltantes de todos os tipos. Isso porque eu, por experiência prórpria, achava que andar nas ruas de uma grande cidade era praticamente um jogo de videogame. Você precisava de estratégias, cuidados e evitar perder vidas (no nosso caso, nossa única vida).
Hoje vejo que naquela época já existia pelo menos um jogo baseado nessa história. Streets of Rage por exemplo. Você anda pelas ruas enfrentando marginais até chegar ao cabeça da gangue.
Coincidência ou não, ontem joguei Streets of Rage. Inclusive li o prólogo do jogo, o qual achava nunca tinha lido em todos esses anos. O prólogo, como descrito acima, diz que uma grande cidade fora dominada por uma organização criminosa e até mesmo os policiais haviam sido corrompidos. E que, percebendo isso, 3 ex-policiais resolvem enfrentar o crime e a violência pela cidade e derrotar o grande cabeça da organização, o Mr. X.
OK, agora me diga, o que essa historinha aí tem de diferente do que ouvi no Jornal Nacional ontem mesmo? Nossas grandes cidades são dominadas por organizações criminosas. As ruas estão tomadas pela violência. Nossos policiais ou são curruptos ou não possuem condições de combater o cada vez mais organizado e armado crime. Até eles têm medo.
Se a muito tempo atrás eu achava o jogo difícil, hoje acho uma baba. No jogo os inimigos não possuem armas de fogo! Ora, fácil demais, já que na realidade as coisas são bem diferentes. Ah, fora que no jogo, quando você chama a polícia, ela realmente vem, instantaneamente. Além disso, no jogo, você está sempre ouvindo uma excelente música de Yuzo Koshiro. Já na realidade, se você tiver ouvindo alguma música na rua, é provável que fique sem o seu radinho…
É uma pena. Naquela época o jogo que eu tinha bolado era realmente empolgante, algo que nunca ninguém tinha pensado antes. Mas hoje não tem mais graça. Mesmo sem ter visto minha idéia se tornar um jogo, já enjoei dele. Todo dia, quando saio às ruas eu o jogo. E parece não ter fim. Todo dia é uma fase nova, e a cada novo dia o jogo fica mais difícil. Em Streets of Rage, 3 pessoas, depois de muita luta, conseguiram salvar a cidade no final. Será que no nosso jogo 180 milhões conseguirão salvar o país?



