Vamos lá, mais um texto sobre o sofrimento de ser um gamer brasileiro, mais um texto de protesto. Desculpem, queria mesmo falar de videogames, mas é muito difícil. Ser gamer brasileiro é difícil e sempre temos um problema a compartilhar.
Como você compra seus jogos? E seus consoles? Eu sei, é difícil. Às vezes nem temos a opção de comprar algo original, bonitinho, na caixa. Isso é um luxo do qual não podemos usufruir. Culpa de quem? …
Há 28 dias comprei um Nintendo DS Lite no exterior. É, entrei numa loja online, selecionei o produto, escolhi a forma de envio, digitei meu endereço e meu cartão de crédito e pronto. Estou aguardando. Não, nada ilegal. Não é contrabando, não é pirataria, não é roubo. Fiz uma compra simples e correta. Mas, como sou um gamer brasileiro, tenho que ficar nessa angústia. Culpa de quem? …
Não sei, às vezes eu fico pensando “Puxa, pra quê eu fico batendo cabeça por causa de videogame? Isso é tão importante assim? Esse papo de que videogame é cultura, nova arte, forma de expressão, faz mesmo sentido?” Isso é meu pensamento em desepero e depressão. Mas quando as coisas voltam aos seus lugares, fica tudo mais claro. Eu não estou roubando, corrompendo, sequestrando, destruindo, enganando, ofendendo, ignorando, sujando, depredando nada nem ninguém. Estou querendo me entreter, um direito que todo ser humano tem. Aliás, todo ser humano tem mas que, inflezimente, nem todos o garantem. Culpa de quem? …
Como será que foi quando o cinema surgiu? Era difícil assitir a um filme? Os entusiastas de cinema sofriam como a gente sofre? Existia preconceito? É, comparar videogame com cinema já cansou né? É o que dizem. Mas é a melhor analogia que podemos fazer no momento pra tentar passar aos, digamos, leigos, o que o videogame tem se transformado. Não, não é mais um monte de quadradinho pulando na tela fazendo plic plom tuc.
Não sei se é só aqui, já não faço questão de saber. Mas é mesmo muito difícil ser gamer brasileiro. Principalmente quando se tenta ser ético. Veja só, tenta. Num país onde a corrupção está lá em cima e lá embaixo, você tem que rebolar pra ser ético. É, esperar 28 dias por uma compra legal, sendo que o contrabandeado tá ali, no centro da cidade, a menos de 10km da minha casa, onde eu posso comprar e voltar feliz pra casa.
Nessa horas a culpa é nossa, que incentiva o contrabando, o mercado cinza e o mercado negro. Mas e quando se tem impostos exorbitantes, os quais boa parte vão para cuecas? E quando se tem um serviço aduaneiro e postal de honestidade duvidosa o qual o bem que você adquiriu, legalmente, fica a mercê de boa vontade pra ser liberado? E se for liberado. Pois há casos que um videogame virou dois frascos de perfume vagabundo. E aí, a culpa é de quem?

